Coisas boas e coisas más
Consanguinidade, persistências, mitos e confusões.
Uma das coisas boas de existirem muitas pessoas com o mesmo apelido em lugares cimeiros da vida pública e mediática é mostrar que o capitalismo - apesar de assentar num mito fundacional meritocrático, do homem que se se constrói a si mesmo - é um sistema profundamente persistente e patrimonial, onde a linhagem conta quase tanto como na época Medieval e do Antigo Regime, sendo possível traçar desigualdades patrimoniais e de rendimento que não se desvaneceram com o seu aparecimento.
A parte má é a minha incapacidade de discernir entre os vários Pereiras Coutinhos na berlinda , quando os vejo referidos nas notícias. Uma pessoa não sabe se afinal estão a falar do João Pereira Coutinho (cientista político), do Lourenço Pereira Coutinho (historiador e colaborador do Expresso), do Francisco Pereira Coutinho (Professor de Direito e comentador da Sic Notícias) ou do Vasco Pereira Coutinho (nova figura do humor nacional, que faz anúncios do Pingo Doce ao lado do Herman José).
Isto é como dizia o Ricardo Araújo Pereira, num sketch em que satirizava a Floribela: “Senhor Frederico, fico um pouco confusa…”


